José María Balcázar Zelada é eleito presidente interino do Peru após destituição de José Jerí

José María Balcáza
Ernesto Arias/Peru Congress/Handout via REUTERS
O Congresso do Peru elegeu na madrugada desta quinta-feira (19) José María Balcázar Zelada como o novo presidente interino do país após a destituição de José Jeri, que ficou apenas quatro meses no cargo.
Zelada é do partido Peru Libre, de esquerda.
Ao todo, quatro candidatos disputaram a eleição no Congresso. Na primeira rodada, não houve maioria absoluta, e os dois mais votados passaram para o segundo turno. Balcázar venceu Maricarmen Alva Prieto.
Embora o atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, fosse constitucionalmente o próximo na linha de sucessão, ele se recusou a assumir a Presidência.
Assim, os parlamentares tiveram que eleger um novo presidente do Congresso, que assumirá automaticamente o comando do país para um mandato-tampão. As próximas eleições gerais estão marcadas para o dia 12 de abril.
Destituição
Jose Jeri, ex-presidente do Peru, no Palácio do Governo em Lima, em 21 de janeiro.
Gerardo Marin/Reuters
José Jeri, escolhido em outubro de 2025, estava envolvido em um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês.
Foram 75 parlamentares que votaram a favor da destituição de Jeri, enquanto 24 votaram contra e três se abstiveram.
A rotatividade da Presidência peruana não é novidade. Jeri é o terceiro presidente consecutivo do Peru a ser removido do cargo. Nos últimos 8 anos, o país andino teve 7 presidentes, e deve escolher nesta quarta o seu oitvavo chefe do Executivo no período.
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Chifagate
O escândalo que derrubou Jeri, apelidado de “Chifagate” — em referência a um nome local para restaurantes chineses — começou em janeiro, quando o então presidente foi filmado chegando a um restaurante tarde da noite, usando capuz, para se reunir com o empresário chinês Zhihua Yang, que possui lojas e uma concessão para um projeto de energia. A reunião não foi divulgada publicamente.
Jeri tornou-se presidente em outubro depois que o impopular Congresso do Peru votou por unanimidade pela destituição de sua antecessora, Dina Boluarte, após partidos de direita que a apoiavam retirarem seu apoio em meio a escândalos de corrupção e à crescente insatisfação com o aumento da criminalidade.
Boluarte não tinha vice-presidente, e Jeri, que era presidente do Congresso na época, era o próximo na linha de sucessão.
Essa condição interina foi usada pelo Legislativo para removê-lo da presidência.
Diferentemente do impeachment, que exige uma maioria de 87 votos no Legislativo de 130 membros, o Congresso votou pela censura de Jeri, o que lhe retira o título de presidente do Congresso com maioria simples.
Jeri afirmou que respeitaria o resultado da votação.

