Suplemento com bactéria presente no intestino pode ajudar no controle do peso, mostra estudo

A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença crônica
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A ingestão de um suplemento com um tipo de bactéria pode ajudar pessoas com obesidade a manter o peso após outras estratégias para emagrecer. Isso é o que aponta um novo estudo publicado nesta quarta na revista científica “Nature Medicine”.
➡️A pesquisa envolveu 281 adultos com sobrepeso ou obesidade e testou o efeito de um suplemento com a bactéria pasteurizada Akkermansia muciniphila. O objetivo era analisar quanto peso os participantes recuperariam durante o período de manutenção, após uma dieta restritiva, por exemplo.
🦠A Akkermansia muciniphila é uma bactéria presente no intestino humano que utiliza o muco intestinal como fonte de energia. Ela fortalece a barreira intestinal, estimulando a renovação dos fluidos desse órgão.
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O estudo contou com duas fases principais:
A primeira, de perda de peso
Os participantes foram submetidos a uma dieta de baixa caloria por oito semanas. A intenção era que os pacientes perdessem ao menos 8% do peso corporal.
A segunda, de manutenção
Os voluntários passaram por um período de 24 semanas com uma dieta saudável e sem restrição de quantidade, recebendo diariamente um suplemento com Akkermansia muciniphila MucT pasteurizada ou placebo.
Os resultados mostraram que aqueles que receberam o suplemento bacteriano recuperaram 13,6% do peso perdido na fase inicial, porcentagem que chegou a 33% no grupo que tomou placebo.
Os pesquisadores também observaram que os participantes que ingeriram o suplemento apresentaram uma perda de peso total de cerca de 3 kg maior em relação ao início do estudo, além de melhora na preservação da insulina.
Mecanismos de ação
O grupo afirma que alguns mecanismos podem ajudar a explicar os efeitos vistos na pesquisa:
Maior eliminação de energia nas fezes
Parte das calorias ingeridas pode não ter sido absorvida pelo organismo e foi eliminada nas fezes, reduzindo a quantidade efetiva de energia disponível.
Melhora do tecido adiposo subcutâneo
O tecido adiposo apresentou menor atividade inflamatória e maior expressão de genes relacionados ao processo em que as células adiposas se tornam metabolicamente mais ativas e passam a gastar mais energia.
Melhora de função da barreira intestinal
A bactéria parece atuar diretamente no metabolismo do hospedeiro, fortalecendo a integridade da mucosa intestinal e influenciando positivamente o tecido adiposo por meio do chamado eixo intestino, barreira e gordura.
Outro ponto positivo é que a bactéria parece atenuar o que os autores chamam de memória da obesidade, tornando o tecido adiposo menos inflamado e mais ativo metabolicamente.
➡️Em pessoas obesas, o tecido adiposo mantém alterações inflamatórias mesmo após a perda de peso, o que pode facilitar o reganho. O processo é conhecido como memória da obesidade.
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Limitações do estudo
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores lembram que o estudo apresenta certas limitações.
A primeira delas é a duração, já que foi analisado um período relativamente curto, de 24 semanas, e não houve um acompanhamento dos participantes a longo prazo.
Outro ponto importante é que não foram avaliados fatores como apetite, saciedade e gasto energético, fundamentais em um processo de emagrecimento e de manutenção do peso.
“A suplementação com Akkermansia muciniphila MucT pasteurizada pode representar uma estratégia promissora para a manutenção do peso em longo prazo após restrição energética ou uso de agonistas do receptor de GLP-1”, concluem os autores.
Como emagrecer de forma saudável?
Em meio a tantas estratégias diferentes para emagrecer, os especialistas reiteram que a perda de peso de forma saudável não virá de dietas extremamente restritivas ou soluções rápidas.
👉O emagrecimento é um processo que consiste em criar, aos poucos, um consumo de energia menor do que o gasto pelo corpo.
Para isso, o mais fundamental são as mudanças de hábitos, com novos comportamentos como:
Prestar atenção ao tamanho das porções, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes e alimentos ricos em fibras.
Praticar exercício físico regularmente, combinando atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta ou natação, com exercícios de força, que ajudam a preservar a massa muscular e melhorar o metabolismo.
Dormir bem e gerenciar os níveis de estresse.
Por fim, o acompanhamento de um profissional qualificado é sempre essencial para que a perda de peso seja feita com saúde, preservando a massa muscular.

