Douglas Ruas diz que Alerj ‘errou’ ao aprovar orçamentos e anuncia comissão contra déficit de R$ 237 bilhões: ‘Nunca escolhi chefe’

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O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, anunciou nesta quarta-feira (13) a criação de uma comissão especial para propor cortes de gastos e tentar conter o avanço da dívida do estado. Ao apresentar a medida, o deputado fez uma autocrítica à atuação do próprio Legislativo: “Essa casa errou ao aprovar os últimos três orçamentos”.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário fiscal preocupante. O Rio de Janeiro acumula uma dívida de R$ 237 bilhões, a segunda maior do país, atrás apenas de São Paulo.
Proporcionalmente à arrecadação, o estado tem o maior nível de endividamento do Brasil: a dívida equivale a 217% da receita estadual, acima do limite de 200% estabelecido como referência pelo Tesouro Nacional.
O grupo terá prazo de 120 dias para apresentar propostas. A previsão é que os trabalhos comecem ainda nesta quarta, com a definição de um cronograma que inclui audiências públicas e reuniões com representantes dos três poderes e órgãos de controle.
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O presidente da Alerj, Douglas Ruas, ao anunciar uma Comissão Especial para analisar os gastos do estado
Octacílio Barbosa/Alerj
O anúncio coincide com o início das discussões, na Comissão de Orçamento da Alerj, do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. A proposta enviada pelo Executivo prevê déficit de R$ 13 bilhões naquele ano, além de projeções negativas para os exercícios seguintes.
Segundo Ruas, a intenção é dar mais transparência e previsibilidade às contas públicas: “Quando formos votar o orçamento do próximo ano, precisamos ter mais clareza para evitar novos déficits”.
Críticas ao aumento da dívida na gestão Castro
O presidente da Alerj também criticou o crescimento das despesas do estado, especialmente com pessoal.
“Como permitiram que a despesa com pessoal crescesse o dobro da receita em três anos?”, questionou.
Ex=secretário estadual de Cidades do então governador Cláudio Castro, Ruas negou responsabilidade direta sobre os orçamentos que agora critica.
“Eu nunca escolhi chefe, sempre escolhi a missão. Na secretaria, eu cuidei do orçamento da pasta. Não cabia a mim elaborar a peça orçamentária do estado”, disse.
Como será a comissão
A comissão será composta inicialmente pelos deputados Jair Bittencourt, Alan Lopes, Tia Ju e Bruno Dauaire. O PSD ainda deve indicar um representante, e haverá também cinco suplentes.
Entre as atribuições do colegiado estão
investigar as causas do aumento das despesas;
identificar possíveis excessos;
e propor medidas de contenção de gastos.
O grupo também deve ouvir integrantes do Executivo, do Judiciário e de órgãos de fiscalização e controle.
O prazo para conclusão dos trabalhos termina próximo ao período eleitoral e deve influenciar diretamente a discussão e a votação do orçamento estadual de 2027.

