Amigos passam a noite em árvores após barco afundar em rio de MS: ‘Não sabíamos se sairíamos vivos’

Amigos passam a noite em árvores após barco afundar em rio de MS: ‘Não sabíamos se sairíamos vivos’

Jovens passam a noite em árvores após barco afundar em rio de MS
Três amigos viveram momentos de terror depois que o barco em que estavam afundou durante uma pescaria no Rio Dourados, no domingo (18). Arrastados pela correnteza, eles passaram a noite no alto de árvores em uma área alagada às margens do rio. O resgate ocorreu na manhã de segunda-feira (19), cerca de 15 horas após o acidente.
Quem relembra as horas de desespero vividas no meio da mata, durante o que deveria ser um domingo de lazer, é o autônomo João Gabriel Penha Lazzarotto Neves, de 21 anos.
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Ele estava acompanhado dos irmãos Emanoel Tenório Galvão, de 22, que trabalha como barbeiro, e Amaury Tenório Galvão, de 26. Os três saíram de um rancho localizado a cerca de 21 km de Dourados para pescar.
Por volta das 12h, após problemas mecânicos no motor da embarcação, os amigos começaram a descer o rio em direção a Fátima do Sul. João conta que eles pararam em um barranco, fizeram um churrasco, mas a pescaria não rendeu como esperavam.
Jovem com marcas no corpo por conta de alergia e barco que afundou no rio.
Arquivo Pessoal.
A situação mudou durante o retorno, rio acima, por volta das 16h, quando um dos amigos conseguiu fisgar um peixe perto de uma ilha. Eles pararam no local, mas acabaram surpreendidos pela força da correnteza.
“Como a correnteza estava muito forte, jogou a gente para o barranco, para o meio da galhada. Tentamos ligar o motor elétrico, mas não deu tempo. Ele afogou. Pegamos o remo e tentamos tirar o barco da árvore, mas foi tudo muito rápido. Quando a gente viu, um galho derrubou a gente e o barco logo em seguida virou”, lembra João.
Os amigos ainda se agarraram à embarcação na tentativa de arrastá-la até a margem, mas não conseguiram vencer a força da água. Depois de serem levados por cerca de 4 km rio abaixo, decidiram soltar o barco e procurar terra firme.
Eles, porém, não imaginavam que o rio havia avançado sobre uma extensa faixa das margens. João conta que os três nadaram por vários metros na tentativa de sair da água, mas não conseguiram encontrar um local seguro.
“Quando deu umas 19h, a gente desistiu de procurar terra firme e subiu em uma árvore”, conta.
Frio, escuro e medo de animais
Segundo João, após o naufrágio, os amigos conseguiram salvar apenas os celulares, mas não havia sinal na região. Sem conseguir pedir ajuda, eles precisaram enfrentar a escuridão, o frio, as picadas de mosquitos e o medo do que poderia aparecer na mata.
Durante a noite, os três também teriam ouvido esturros de uma onça e sons de animais se movimentando na água.
“Ela deu dois esturros. Escutávamos peixes. Escutamos coisas nadando embaixo da gente e, como estávamos com muito medo, não chegamos a iluminar, nem nada. Só ficamos em silêncio o tempo inteiro. Evitamos fazer barulho por conta dos bichos. Não sabíamos o que poderia aparecer ali”, relata.
Na tentativa de se aquecer, os amigos colocaram folhas por dentro das roupas e dos coletes. Um deles, que tem alergia, ficou com diversas marcas pelo corpo.
“A gente pensou que ia morrer. Era muito frio. A gente pensou que poderia morrer de frio. E o tempo todo pensando em onça, sucuri, jacaré”, lembra.
Resgate após a noite nas árvores
Os três permaneceram nas árvores até o amanhecer. Quando clareou, decidiram descer e continuar procurando ajuda. Com a água na altura do pescoço, conseguiram chegar ao leito do rio e, finalmente, encontraram uma embarcação de resgate na qual estava o pai dos irmãos.
O encontro ocorreu por volta das 7h de segunda-feira (19), cerca de 15 horas depois do acidente, ocorrido por volta das 16h de domingo.
Momento em que os amigos foram resgatados.
Arquivo Pessoal.
João conta que familiares começaram a procurar os três ainda na noite de domingo, por volta das 22h. As buscas foram feitas na região, mas os parentes só encontraram o carro de um dos jovens, estacionado no rancho, por volta das 3h da madrugada.
Durante a noite, a mãe de João teria procurado o Corpo de Bombeiros para pedir ajuda. Segundo o relato do jovem, a informação recebida foi de que os militares só poderiam iniciar as buscas após 24 horas do desaparecimento do trio.
Mensagens sobre o desaparecimento também foram compartilhadas em grupos de WhatsApp e em outras redes sociais.
Emocionado, João agradece aos amigos e familiares que se empenharam nas buscas. Ele conta que se apegou à fé enquanto aguardava socorro com os companheiros.
“Foi um momento de muita angústia, sabe? O tempo todo eu fiquei orando no topo da árvore. Foi um momento muito emocionante, orando também. É muito difícil de explicar. Nós não sabíamos se iríamos sair vivos, porque a natureza é muito traiçoeira, né? A gente não sabia o que poderia acontecer”, relata.
O g1 procurou o Corpo de Bombeiros para esclarecer se houve orientação para aguardar 24 horas antes de iniciar as buscas pelos três jovens, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
João Gabriel Penha Lazzarotto Neves e os irmãos Emanoel Tenório Galvão, de 22, barbeiro, e Amaury Tenório Galvão.
Arquivo pessoal.
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