Estudo revela que 6 em cada 10 jovens terminam o ensino médio na rede pública sem aprender o básico em Matemática

Um estudo sobre a aprendizagem na rede pública mostra que houve avanços nas últimas décadas. Mesmo assim, quase 60% dos jovens no Brasil terminam o ensino médio sem aprender o básico em Matemática. A meta é erradicar esse cenário nos próximos anos.
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Existem alunos que se dão bem com a Matemática, mas a maioria é como o Rodrigo.
“Eu não consigo fazer muitas contas. A conta básica eu consigo, mas começa a colocar número e dividir, multiplicar, eu não consigo raciocinar muito bem”, conta o estudante Rodrigo Alencar da Silva.
A aula em um cursinho é oferecido por uma organização social para alunos que terminaram ou estão no fim do ensino médio e querem seguir para a faculdade. Matemática é a disciplina que mais precisa de reforço.
“Não são todos os alunos que têm as mesmas dificuldades, né? Então, a gente tem diferentes níveis na mesma sala. O que a gente procura é realmente oferecer algo individualizado”, afirma a professora de Matemática.
Estudo revela que 6 em cada 10 jovens terminam o ensino médio na rede pública sem aprender o básico em Matemática
Jornal Nacional/ Reprodução
Um estudo do Todos Pela Educação mostra que quase 60% dos jovens brasileiros ainda terminam o ensino médio na rede pública sem aprender o básico em Matemática. Até 2036, o Brasil precisa zerar esse índice, segundo a meta do Plano Nacional de Educação. Na outra ponta, apenas 8,5% aprendem dentro do que é considerado adequado. A meta do Plano Nacional é levar esse número a 80%.
Em 20 anos, o Brasil também teve avanços: o total de alunos com aprendizagem adequada no 5º ano do ensino fundamental mais que triplicou, passando de 50%.
“Um estudante que termina a educação básica com níveis de aprendizagem muito baixos, ele tem algumas dificuldades no cotidiano do seu dia a dia. Um estudante que, na hora de fazer uma compra, tem mais dificuldade de entender um desconto, um parcelamento, de entender os juros que são aplicados em uma dívida que ele pode contrair. E o futuro desse jovem também é muito comprometido, seja se ele quiser seguir para o ensino superior ou para o mercado de trabalho”, diz Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.
O estudo mostra que as dificuldades começam nos primeiros anos do ensino fundamental e vão aumentando até o ensino médio. Segundo os especialistas, isso acontece porque o aluno carrega as dificuldades de uma série para outra, até que não consegue mais aprender novos conteúdos.
E os estudantes que estão hoje terminando o ensino médio ainda sofrem com os impactos da pandemia na educação. Eles estavam no ensino fundamental quando as escolas fecharam.
“Eu não gosto muito de estudar em casa, então eu acabava me distraindo bastante. E isso acabou atrapalhando um pouco”, conta o estudante Pedro Henrique Laxo Martins.
“Os gestores públicos de educação precisam entender que os efeitos da pandemia não terminaram. E as políticas de recomposição de aprendizagem, ou seja, de retomar e trabalhar essas defasagens que os estudantes têm, são fundamentais para os próximos anos”, afirma Gabriel Corrêa.
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