Contradições e uso de moletom: os 10 pontos que ajudaram a polícia a concluir a investigação do cão Orelha

Contradições e uso de moletom: os 10 pontos que ajudaram a polícia a concluir a investigação do cão Orelha

Polícia explica pontos que ajudaram a apontar suspeito das agressões ao cão Orelha
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nessa terça-feira (3) a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo, em Florianópolis. A apuração descobriu contradições em relatos, reuniu tecnologia de análise de dados, depoimentos e imagens de segurança.
No caso de Orelha, a polícia pediu a internação provisória do adolescente apontado como agressor do cão. No caso do cachorro Caramelo, quatro adolescentes foram representados por maus-tratos.
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Idoso e dócil: quem era Orelha
➡️Os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.
O inquérito foi enviado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Veja os 10 principais pontos que levaram à identificação do autor do caso Orelha:
1. Testemunhas do dia e local
Segundo o delegado Renan Balbino, a investigação começou com relatos de testemunhas que estavam na Praia Brava na madrugada de 4 de janeiro. Elas ajudaram a reconstruir a movimentação do momento do ataque e a indicar características do suspeito, orientando as primeiras diligências.
No caso Orelha, foram 24 testemunhas ouvidas, oito adolescentes suspeitos investigados.
Cão Orelha morava na Praia Brava
Reprodução/Redes sociais
2. Confirmação por imagens das testemunhas
A Polícia Civil cruzou os relatos com imagens de câmeras de segurança da região. Foram analisadas mais de mil horas de gravações de 14 equipamentos. As imagens confirmaram a presença das testemunhas no horário informado.
3. Geolocalização do telefone
Um software francês permitiu rastrear a localização do celular do adolescente investigado. Os dados mostraram que ele estava na área do ato infracional no momento do ataque ao cachorro comunitário.
4. Coação de testemunhas
Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou tentativas de coação a testemunhas por familiares do adolescente. Três adultos foram indiciados por interferir no andamento do processo, segundo a Delegacia de Proteção Animal (DPA).
Pais e tio de adolescentes são indiciados por coagir testemunha na investigação da morte do animal
Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
5. Presença confirmada por câmeras
Além da geolocalização, as câmeras registraram a circulação do adolescente nas proximidades. As imagens mostraram o trajeto feito pelo jovem durante a madrugada do dia 4 de janeiro e comprovando que ele esteve fora do condomínio onde morava naquele período.
Não existe um vídeo do momento exato da agressão ao cão Orelha. Segundo a polícia, o material divulgado em um grupo de porteiros da Praia Brava era apenas uma foto que mostrava adolescentes que estariam incomodando a vizinhança. A imagem foi apagada do grupo logo após a intervenção de familiares. A Polícia Civil conseguiu recuperar o arquivo que havia sido excluído.
Vídeo mostra adolescente indiciado por agressões ao cão Orelha saindo e voltando de condomínio no dia 4 de janeiro
Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
6. Contradições no depoimento
O adolescente afirmou em depoimento que ficou dentro do condomínio, na piscina, durante o horário do ataque. Segundo o delegado Renan Balbino, essa foi a principal contradição, já que as imagens mostraram o jovem saindo e voltando ao local. A divergência abriu novas frentes da investigação.
7. Registro da portaria eletrônica
Os dados da portaria eletrônica do condomínio registraram a saída do adolescente às 5h25 e o retorno às 5h58, acompanhado de uma amiga. A informação confirmou a linha do tempo construída pela polícia e desmentiu a versão apresentada inicialmente por ele.
8. Boné rosa usado no dia
Quando o adolescente voltou ao Brasil, no fim de janeiro, a polícia o abordou no aeroporto. Um familiar tentou esconder um boné rosa que estava com ele, mas a peça foi apreendida e identificada como a mesma usada no dia das agressões.
9. Moletom apreendido
A polícia também apreendeu um moletom na bagagem. Quando a delegada revistou a mala do adolescente, um familiar tentou justificar que o moletom havia sido comprado durante a viagem à Disney.
No entanto, o adolescente confirmou que já tinha a peça antes. A polícia comparou as imagens de câmera de segurança e associou ao moletom usado no ataque.
10. Recuperação de dados apagados
Um software israelense recuperou dados de celulares apreendidos. As informações complementaram as provas já reunidas e podem reforçar pontos da investigação e revelar novos detalhes.
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