Desigualdade de gênero entre os pais afeta a saúde mental dos filhos? Estudo de mais de 20 anos mostra que sim, inclusive de meninos

Desigualdade de gênero entre os pais afeta a saúde mental dos filhos? Estudo de mais de 20 anos mostra que sim, inclusive de meninos

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)
Divulgação/ Gustavo Diehl; Clóvis Prates/ HCPA
🧠 Um levantamento indica que quando homens e mulheres têm condições mais equilibradas dentro de casa, todos os filhos colhem benefícios diretos na saúde mental, na escolaridade e na percepção de qualidade de vida.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As conclusões foram divulgadas na revista Cambridge Prism: Global Mental Health.
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O estudo analisou 2.852 jovens da tradicional coorte de nascimentos de Pelotas, no Sul do RS, acompanhados desde 1993 até completarem 18 anos.
🔎 Coorte de nascimentos = grupo de pessoas que nasce no mesmo ano e é acompanhado ao longo de um período.
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Para medir como desigualdades entre pai e mãe impactavam a vida dos filhos, os pesquisadores criaram o Índice de Desigualdade de Gênero do Casal (IDGC), que considera três dimensões:
nível de escolaridade;
renda;
autonomia reprodutiva da mãe.
Quanto maior a desigualdade nesses aspectos, menor o índice.
Meninos também ganham com ambientes familiares mais equilibrados
Entre os principais resultados, jovens que cresceram em famílias mais igualitárias tiveram, aos 18 anos:
1,5 ano a mais de estudo;
melhor qualidade de vida, com cerca de 10 pontos acima na escala da OMS;
36% menor risco de depressão.
Os resultados se repetiram tanto entre meninas quanto entre meninos, mostrando que práticas mais justas dentro do lar não favorecem apenas as mulheres.
O levantamento também identificou que 5,9% dos jovens avaliados preencheram critérios para depressão aos 18 anos. Os pesquisadores observaram que a prevalência do transtorno foi maior entre aqueles expostos a maiores desigualdades entre pai e mãe durante a infância e adolescência.
A psiquiatra e pesquisadora Clarissa Severino Gama ainda reforça que os ganhos vão além da questão social:
“Quando falamos de igualdade de gênero neste estudo, não estamos falando apenas de justiça social, mas também de educação, saúde mental e do futuro das crianças”, comenta.
Retrato das famílias analisadas
Da amostra estudada:
62,9% dos casais tinham o mesmo nível de escolaridade ou as mulheres estudaram mais;
apenas 4,9% tinham renda igual ou maior para as mães;
69,7% das mulheres foram mães após os 20 anos e realizaram mais de oito consultas pré-natais.
A análise mostrou que quanto maior o equilíbrio entre pai e mãe, maior a chance de os filhos alcançarem mais anos de estudo e preservarem saúde mental na transição para a vida adulta.
Já ambientes com maior disparidade foram associados a níveis mais altos de depressão, sobretudo quando o IDGC era mais baixo.
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