Família de tatuador morto agredido no interior de SP pede que testemunhas respondam por omissão de socorro

Família de tatuador morto agredido no interior de SP pede que testemunhas respondam por omissão de socorro

Justiça aceita denúncia contra jovem após morte de tatuador em Nuporanga, SP
A defesa da família do tatuador Vitor Fonseca de Almeida Silva, de 42 anos, que morreu agredido durante o Carnaval em Nuporanga (SP), quer que a Polícia Civil investigue por omissão de socorro as testemunhas das agressões.
Fonseca morreu dois dias após levar um soco, cair e bater a cabeça na calçada na madrugada de 15 de fevereiro.
Em março, a Justiça tornou réu Vitor Manoel Gomes de Jesus, de 25 anos, apontado como autor da agressão. Ele responde por lesão corporal seguida de morte.
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À EPTV, afiliada da TV Globo, o advogado Ricardo Rocha afirma que as imagens do momento da agressão mostram que várias pessoas presenciaram, mas não prestaram socorro à vítima e agiram com desprezo à situação.
“Quando acontecem os fatos, todas essas pessoas permanecem no local bebendo, fumando, se divertindo. Uma dessas pessoas até faz alusão a uma dança de capoeira, zombando do fato. Nenhuma pessoa presta socorro. Os fatos acontecem por volta das 4h36, somente cinco minutos depois, dois adolescentes saem daquele local e vão até o pronto atendimento solicitar ajuda. A vítima fica cinco minutos caída, agonizando, e ninguém faz nada. Pelo contrário, eles permanecem ali curtindo, como se nada tivesse acontecido”, diz.
A defesa da vítima também pede uma indenização de ao menos 50 salários mínimos.
A reportagem não conseguiu localizar as defesas das testemunhas.
Vitor Manoel, de 25 anos, foi acusado por causar morte de tatuador com agressão no carnaval de Nuporanga, SP.
Reprodução/ Câmeras de segurança
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Inquérito associa soco à morte e descarta importunação
O inquérito levado ao MP e que deu base à denúncia foi concluído pela Polícia Civil em março e apontou que Vitor Manoel foi o responsável pela morte do tatuador.
Além de o investigado ter confessado o soco, segundo as autoridades, a necrópsia associou a batida da parte de trás da cabeça da vítima na calçada ao traumatismo que levou à morte de Fonseca.
“O laudo confirma o nexo causal entre a agressão (soco que provocou a queda) e o resultado morte, decorrente do impacto da região occipital da vítima contra o calçamento”, documentou o delegado no inquérito.
Vitor Fonseca, de 42 anos, morreu após ser agredido no carnaval de Nuporanga, SP.
Reprodução/ Redes sociais
Ao confessar ter sido o autor do soco, Manoel alegou que agiu motivado por uma suposta importunação por parte de Vitor Fonseca vítima a menores, o que não se confirmou nos autos, de acordo com o delegado Clodoaldo Vieira, responsável pelas investigações.
Na conclusão dos trabalhos, ele apontou que, embora depoimentos de pessoas ligadas ao acusado mencionem uma frase supostamente atribuída ao tatuador – “eu gosto de safadeza” – como estopim da agressão, não ficou comprovada a importunação.
As imagens de câmeras de segurança da madrugada da agressão mostram o tatuador caminhando pela rua ao lado de adolescentes e uma menina, mas não foram suficientes para a polícia entender que houve uma conduta suspeita.
“Os arquivos de imagens e a cronologia dos fatos demonstram que a vítima não representava risco concreto de agressão física ao grupo. A conduta da vítima, embora, ao que pareceu, socialmente inadequada ao abordar uma criança desconhecida na madrugada, não configurava uma agressão injusta, atual ou iminente, capaz de justificar a reação violenta nos termos da legítima defesa.”
Além disso, o relatório menciona que o tatuador não fez nenhum movimento que demonstrasse que também partiria para as agressões. Vigilantes que estiveram no local das agressões prestaram depoimento à Justiça e alegaram terem ouvido do grupo frases de incitação à violência como “tem que morrer mesmo”.
“Ficou claro que a ação do indiciado foi ofensiva e não uma reação a uma agressão injusta e iminente”, concluiu a polícia, no relatório.
O inquérito ainda menciona que o grupo de que o investigado fazia parte seguiu no local conversando, bebendo e fumando mesmo com a vítima caída no chão após o soco, antes da chegada do socorro médico. “Uma atitude de total indiferença para com a gravidade da situação”, apontou o relatório.
Vitor Fonseca de Almeida Silva morreu após ser agredido durante o carnaval em Nuporanga, SP
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