Grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir, diz Trump

Grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir, diz Trump

Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, atualiza informações sobre guerra contra o Irã em 2 de março de 2026.
REUTERS/Elizabeth Frantz
Donald Trump disse nesta segunda-feira (2) que os EUA ainda farão uma leva de ataques ao Irã ainda maior que a realizada no sábado (28).
Em entrevista à rede de TV CNN Internacional, Trump disse que “uma grande onda (de ataques) ainda está por vir na guerra com o Irã”.
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A guerra contra o Irã “não será eterna” e os objetivos dos Estados Unidos são destruir os programas nuclear e de mísseis e a Marinha iranianos, afirmou o secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth.
“Às organizações de mídia e à esquerda política que gritam ‘guerra sem fim’, parem. Isto não é o Iraque. Isto não é interminável, nossa geração sabe melhor, e Trump também. Esta operação tem uma missão clara, devastadora e decisiva: destruir a ameaça de mísseis, destruir a Marinha, e nada de armas nucleares”, afirmou Hegseth. “O Irã não terá armas nucleares. Estamos os atingindo de forma avassaladora e sem qualquer hesitação”, completou o secretário sobre a guerra contra o Irã.
Esta foi a primeira vez que alguma autoridade dos EUA falou de forma clara os objetivos do país na guerra contra o Irã. Desde então, as justificativas para iniciar o conflito se baseavam em frases genéricas ou contestadas, como a de “defender o povo americano” e que Teerã teria mísseis que conseguiriam atingir os EUA.
Hegseth disse que nada está descartado na guerra contra o Irã, mas que os EUA não enviarão tropas para o país. Além disso, ele disse que é o presidente Donald Trump quem decidirá quanto tempo o conflito vai durar. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, o general Dan Caine, disse que deve demorar algum tempo para que os objetivos sejam atingidos.
Entenda o que levou Israel e EUA a atacarem o Irã
O secretário de Guerra também acusou o Irã de planejar uma “chantagem nuclear” contra o mundo e que “os EUA não iniciaram essa guerra, porém Trump vai a encerrar”.
“As persistentes ambições nucleares do Irã, seus ataques a rotas globais de navegação e seu crescente arsenal de mísseis balísticos e drones letais não são mais riscos toleráveis. O Irã estava construindo mísseis e drones poderosos para criar um escudo convencional para suas ambições de chantagem nuclear. E nossas bases, nosso povo, nossos aliados — todos na mira”, afirmou Hegseth.
O secretário de Guerra norte-americano afirmou que o regime iraniano “teve todas as chances” para fazer um acordo nuclear com os EUA. Segundo ele, a guerra não tem como objetivo a mudança de regime —algo que seria ilegal à luz da Constituição dos EUA—, mas disse que “o regime já mudou e o mundo está melhor por conta disso”, em referência ao assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Ataque contra o Irã teve ‘velocidade, surpresa e violência’, diz general
O general Dan Caine acompanhou Hegseth na coletiva e deu mais detalhes sobre como foi o ataque contra o Irã.
Caine afirmou que o Exército dos EUA utilizou mísseis Tomahawk, de alta precisão e poder destrutivo, contra o Irã em um ataque pautado na “velocidade, surpresa e violência”. O ataque deixou o regime iraniano “sem a habilidade para enxergar ou reagir adequadamente”, segundo ele.
“Através de todos os meio, ar, mar, terra e cibernético, as Forças Armadas dos EUA atacaram de forma sincronizada e visando interromper, desmantelar, negar e destruir as habilidades do Irã de manter operações de combate contínuas. Isso marcou o auge de meses e até anos de planejamento e refinamento contra esses alvos”, afirmou Caine.
Segundo Caine, os objetivos dos EUA no conflito também estão proteger os EUA e prevenir que o Irã tenha capacidade de projetar seu poder.
O general norte-americano descreveu a linha do tempo entre a autorização de Trump para o ataque e as ações atuais contra o território iraniano. Veja abaixo (os horários estão no fuso de Brasília):
Sexta (27), ás 13h38: Exército dos EUA recebeu autorização de Trump por comunicado: “Operação Fúria Épica aprovada. Força total. Boa sorte”;
Nesse momento, todos os elementos das Forças Armadas fizeram suas preparações finais e se movimentaram posicionaram para o ataque.
Divisões cibernética e especial do Exército fizeram o ataque inicial “não cinético”, que “interrompeu e derrubou as capacidades do Irã de reagir”
Sexta (27), ás 23h15: Exército dos EUA iniciou a Operação Fúria Épica: mais de 100 aeronaves lançadas por terra e mar, entre jatos, bombardeiros e de rastreamento, lançaram o ataque ao Irã e navios dispararam mísseis Tomahawk contra território e navios iranianos.
“Foi um ataque em grande escala por meio de múltiplos domínios e atingiu mais de mil alvos nas primeiras 24h. (…) Na fase inicial, o foco do Exército norte-americano focou em bombardear sistematicamente infraestrutura do centro de comando do Irã, suas forças navais, instalações de mísseis balísticos e infraestrutura de inteligência”, afirmou Caine.
Caine disse também que essa guerra ainda vai demorar algum tempo, que “o trabalho ainda está apenas começando” e deve haver novas mortes de soldados dos EUA. Ele acrescentou que todos os militares dos EUA permanecerão atentos e sob aviso em bases no Oriente Médio e ao redor do mundo.
Guerra EUA e Israel x Irã
Os bastidores das ações de Israel contra a produção de armas atômicas no Irã
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.
Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano. Ao todo, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nesta segunda-feira (2).
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel e Irã, e sendo presenciados em outros países da região.
Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e Trump prometeu “vingá-los”.
“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”, afirmou o presidente dos EUA no domingo.

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